domingo, 23 de novembro de 2014

Leituras de Rosa - Trilhas no Grande sertão - Manuel Cavalcanti Proença 1958 - parte 1 - Introdução

"Redemoinho", xilogravura de Arlindo Daibert
Outro importante estudo veio a luz em 1958: Trilhas no Grande sertão. Logo de saída, na "Introdução", Manuel Cavalcanti Proença faz uma importante comparação entre a obra e o meio físico em que ela se desenrola, "por estas seiscentas páginas sem capítulos":

"Contínuas, mas não uniformes, imitam a região dos campos do planalto onde se sucedem sempre, sem extremar-se, os cerrados, as matas ciliares dos rios, as abertas, as várzeas das cabeceiras com buritis e buritiranas escutando conversas de araras e maracanãs." (3)

Neste sertão ou sertões de Mato Grosso, Goiás, Bahia e Minas Gerais, a natureza seria marcada pelos opostos violentos: períodos de seca quase absoluta alternando-se com grandes chuvas, ventos que espalham a chama até um riacho que lhes barre o caminho, solo "encarvoado" que reverdece em horas "logo nas primeiras chuvas do fim de setembro" (3).

Conclui para fechar esta parte:

"Neste mundo, fogo e água, Deus e o Demo, Guimarães Rosa acendeu gambiarras para Riobaldo passar." (4)

(Continua amanhã, se os deuses forem bons :-) )

Bibliografia:

PROENÇA, Manuel Cavalcanti. (1958) Trilhas no Grande sertão. Rio de Janeiro: Departamento de Imprensa Nacional.






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